Fernanda Montenegro, simples Arlette

Fernanda Montenegro, simples Arlette

Aos 85 anos a atriz brasileira de cinema, teatro e televisão continua sob os holofotes, mas não por conta de alguma nova premiação. Teresa, sua personagem na novela Babilônia, que faz par romântico com Estela (Nathália Timberg), tem fomentado os sites de notícia e redes sociais nos últimos dias. Mas a #AFF quer falar hoje da Fernanda como Fernanda, como profissional, como atriz, como Arlette – just it!

Considerada um dos maiores nomes do palco e da dramaturgia, é a única brasileira já indicada ao Oscar de melhor atriz, nomeada por seu trabalho em Central do Brasil (1998). É também a primeira brasileira a ganhar o Emmy International na categoria de melhor atriz pela atuação em Doce de Mãe (2003).

Fernanda Montenegro

De família humilde – o pai foi mecânico e a mãe dona de casa, seu primeiro emprego na área da comunicação foi como locutora na Rádio MEC, aos 15 anos, depois de ter participado do concurso “Teatro da Mocidade”, que selecionava jovens talentos do radialismo. Na Faculdade Nacional de Direito da UFRJ, que ficava ao lado da rádio, funcionava um grupo de teatro amador; foi neste grupo que Fernanda deu os primeiros passos em direção a atual e consolidada carreira. A partir daí foi levada por seu professor, Adauto Filho, para participar das atividades do Teatro Ginástico, no Rio. Em seguida conquistou seu primeiro papel como rádioatriz, em “Sinhá Moça Chorou”.

Foi durante o trabalho na rádio que o pseudônimo “Fernanda Montenegro” foi adotado. Vale ressaltar que o emprego nem sempre era remunerado, então, para obter alguma renda, a atriz dava aulas de português para estrangeiros no Berlitz (curso de secretariado que frequentou por 4 anos). Se fossemos descrever cada passo desta “dama do teatro”, escreveríamos muitas linhas, afinal são mais de sessenta anos de carreira! (Para quem quer saber mais, deixamos links bem bacanas no final deste post.)

Fernanda Montenegro

Vale saber

  • Em 1999 foi condecorada com a maior comenda civil do país, a Grã-Cruz da Ordem Nacional do Mérito, “pelo reconhecimento ao destacado trabalho nas artes cênicas brasileiras”, entregue pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso.
  • Em 2013 foi eleita a 15ª celebridade mais influente do Brasil pela revista Forbes.
  • Dois teatros e uma sala no Teatro Leblon levam seu nome.
  • Foi mais de 15 vezes indicada e já recebeu mais de 50 prêmios, somando cinema, teatro e televisão.
  • Viveu mais de 27 personagens no cinema, mais de 39 na televisão e tem mais de 50 peças no currículo.
  • Foi convidada a ocupar o Ministério da Cultura, mas não aceitou, preferindo os palcos.
  • Seu marido, o ator e diretor Fernando Torres, faleceu em 2008 – um dos casais mais longevos e unidos de que se tem notícia. Com ele teve a filha Fernanda Torres e o filho Claudio Torres, ela atriz e ele cineasta.
  • Nome verdadeiro: Arlette Pinheiro Esteves Torres.

Fernanda fala sobre envelhecimento

Fernanda Montenegro sobre envelhever

Fernanda fala e age como uma mulher normal, não gosta de ser considerada a “dama do teatro brasileiro”, nem uma super sábia, ama o que faz e quer que todos vejam seus trabalhos. Em entrevista para a Revista TPM, em junho de 2011, disse que, diariamente, repetia para si mesma: “Como pode eu já ter 80 anos?”. Ela é simples, incansável, trabalhadora, nada afeita a estrelismos e deixa claro que a vida é dura e que envelhecer não é assim tão bacana.

Quando questionada sobre o que a humanidade fez com a velhice, ela responde:

“Esquece. Finge que não está ali. Colocam os velhos no asilo, acham que nunca vão morrer. Cria-se um desrespeito contra aquele que não pode mais investir para o sistema capitalista ou socialista. É como se fosse descartável. Aí, deixam de lado.”

E, sobre a idade, afirma:

“Penso todos os dias. O tempo todo. Não quero ser jovem e não me acho jovem, claro que não. Mas me sinto como um ser humano ativo. Esta palavra, “velha”, bem, deveriam inventar outra porque ela já vem contaminada de coisas como a decadência, a finitude. Os velhos são produtivos, apesar de terem uma sociedade que só cultua o novo. Existem velhos que produzem e muito. Uma pessoa de 80 anos dizer que se sente jovem é mentira. Se você é velho, você tem menos tempo de vida.”

Para o Zero Hora revela que envelhecer assusta sim, e continua:

“Todo dia achar que tem menos um dia de vida assusta. E tem, não é imaginação. Mas digo sempre, tenho essa frase como base: ‘Ainda está bom’. Você às vezes se surpreende: ‘Meu Deus, tenho quase um século’. E você ainda anda, ainda fala, ainda trabalha, ainda te querem.”

Dá pra dizer que Fernanda tem 85 anos? Na opinião AFF, não. A prova de que o viver com intensidade pode proporcionar um “envelhecer” saudável e ativo. E concordamos, deveriam mesmo inventar outra palavra para substituir “velha” – por isso adotamos o “termo” AGED por aqui, bem melhor, não?

Links

Fotos: Murillo Meirelles e reproduções

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